Serra da Peneda - 1º Episódio

'Abasurdido'. Esta é a palavra que classifica o estado em que se fica quando se tem a oportunidade de contemplar a imponência da Serra da Peneda e seus magníficos trilhos. Tudo começou com uma ideia antiga de visitar esta serra, mas que por obra e graça do acaso ficou para esta altura.


Bem cedinho se juntaram 9 pedalantes, 7 "pinocos" e dois (sempre bem-vindos) convidados, o Júlio e o Carlos. Após uns erros de navegação, lá demos com local de ínicio desta aventura. Uma ascensão longa e progressiva estava nas mentes daqueles que conheciam ou teriam idealizado o percurso. Ora pois revelou-se pior, não pela dificuldade do percurso, mas pelas dificuldades daqueles que o percorriam. Uns com dificuldades físicas de ordem fisiológica, ou dificuldades tecnológicas de comunicação. O que é certo é que a manhã foi passada a subir, nem mais. Por muito que se tente relembrar momentos de inclinação negativa, não existiram. No entanto, a ascensão haveria de acabar, e nada melhor que em vez de lambuzar as retinas com descidas loucas, apreciar um belo planalto ao estilo wild life. O sossego e a quietude do local, acrescidos de um majestoso trilho em linhas rectas (quer de direcção, quer de inclinação). Começava depois a diversão em formato descida e nada melhor que trilhos técnicos acompanhados de empedrados bem ao estilo romano-visigodo(:D). A pausa para reforçar, deu novas energias a quem temia perde-las com o passar do tempo, no entanto o percurso aguardava ainda uma subida em estrada até entrar novamente em piso solto para duas conquistas geodésicas. Um must, atendendo ao vento e frio que se faziam sentir naquela altura. Certo é que o tempo não para e quando demos fé, já o relógio marcava horas proibidas para quem ainda tem vários km's pela frente. Uma descida perigosa, mas em ritmo acelerado devolver-nos-ia a um pequeno riacho de fácil travessia. Aqui, apanhámos tal surpresa, daquelas que parecem ser más, mas que se definem como sendo bastante interessantes. O track dizia direita, mas o trilho dizia esquerda e tal era o desvio que os mais descrentes ameaçavam cortar as cabeças dos mentores do dito. Mas eis que o trilho desagua num belo e poderoso single técnico de difícil medição. Sabemos que é longo, sabemos que só tem empedrado daquele que cansa os braços e os restantes membros, sabemos que até tem bonitos locais para apreciar, sabemos também que em dias molhados mais vale esquece-lo, sabemos que fica por ali perto, o que não sabemos é se é ou não o melhor single que alguma vez fizemos. Uma dúvida existencial, saudável, esperemos! Tudo que é bom também acaba e o tal single poderoso não é excepção, mas até aqui este single tem encanto, já que termina uma pequena aldeia também ela com ruas estreitas e empedradas. Nem um pequeno furo tirou a magia do local, já que saímos com a sensação de completa satisfação. Por esta altura, não só o relógia ditava as más notícias, isto porque também a prometida chuva apareceu e fez-se sentir de uma forma abrutalhada por toda a ligação feita em estrada até ao ponto de partida.
Molhados, sim! Felizes, também! É isto o btt, na sua mais pura essência!
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