Prólogo Santiago '10

Ora grande passeio este! Não só pelos km's, mas também pelo gozo de desfrutar dos Caminhos de Santiago em 5 concelhos diferentes com várias peripécias pelo meio. Percurso pautado pelas belas paisagens com cheiro a Santiago '10...
No ponto de encontro compareceram apenas 4 destemidos dispostos a enfrentar uma ameaça de chuva e os prometidos cento e pouco km's. Conversa ainda em redor do que se vai passar nos ditos caminhos e lá se começou a pedalar pelos trilhos cá da zona. Um comentário acerca de avarias e pumba! Avaria mecânica grave e respectivo abandono, aos parcos 2km... Sentimentos de desânimo, tristeza e alguma incompreensão não eram os ideais para motivar as tropas. Lá seguimos a 3! Trilhos bem conhecidos até darmos com o Caminho de Santiago proveniente de Guimarães, caminho este que foi marcado recentemente, ou então remarcado atempadamente. Desconhecido por nós (e pela maioria certamente), fomos seguindo as "setas amarelas" até chegarmos surpreendentemente à Sta Marta das Cortiças. Trilho divertido e conveniente este do Caminho, uma mais valia até, podendo ser usado no futuro. A sua autenticidade será um mistério, assim como estas recentes marcações levantam algumas dúvidas, mas se estão lá as setas amarelas, nós seguimos. Chegados então ao monte de Braga, perdemos as ditas setas, ou estas perderam a cor, ou então algo se passou. Uma orientação ao nível do (inexistente) sol e lá reencontrámos as setas... Ai, ai as marcações! Pelo menos o Caminho passa de uma forma descontraída no centro da cidade e em direcção a este. Deixámos o Caminho na Sé de Braga e dirigimo-nos para Gondizalves (localidade pouco importante de referir cujo nome é por si só engraçado) que nos daria acesso ao monte das caldas para mais uma conquista geodésica. Aqui, além da merecida pausa para reforço, ainda fizemos um telefonema ostensivo para o colega que havia abandonado, por sinal o autor do percurso. Evitando as quedas nas descidas técnicas e perigosas, fomos rapidamente conquistar mais um ponto geodésico, pois já o havíamos avistado do ponto anterior. "Depressa e bem..." A Capela de São Filipe, ali deixada na companhia de duas belas moças que esperavam a nossa partida para mais uma conversa. Mais umas descidas por entre pedras que pareciam querer furar os esqueletos das nossas montadas, que nos deixaram numa vedação imediatamente contornada com astúcia, já que no interior os canídeos ferozes não pareciam ser afáveis. Eis que, Furo #1! Não bastava o problema mecânico inicial? Seria um rasgo no pneu ou um pico mal intencionado, ou até as duas combinadas. Não ficamos tempo suficiente ao sol, que entretanto apareceu, para descobrir a natureza do dito. Mais uma conquista, mais uma foto num veículo enferrujado e siga para Penide. É aqui que é feita a captação de água do rio Cávado, questão meramente informativa, mas que ao ser presenciada causa um aparato tremendo. Quem é pescador conhece estas paragens e sabe até a poucos km's dali está a chamada "casa amarela", a Casa de Saúde São João de Deus. Com tanto amarelo neste passeio, não seria de admirar que também nós precisasse-mos de uns dias naquela instituição! Barcelinhos era ali perto e numa fugaz paragem para um quadrado de chocolate, motivamos uma senhora em peregrinação a pé para Santiago. Talvez nos cruzemos ainda no Caminho!
Caminho este que nos apontava agora em azul, as "setas" que guiam os que vão para Fátima, mas que no nosso caso, só queríamos Rates. Eis que, Furo #2! Mesmo protagonista, mesma estória. Azar a mais diziam os outros! Serviu de pausa e para mais uma conversa com um peregrino ansião que pretendia ficar em Ponte de Lima a pernoitar, foi rapidamente dissuadido por nós a fazê-lo em Barcelos, até porque "o seguro morreu de velho". Seguiu mais ciente e contente, enquanto que nós já só pensávamos na açucarada Cola! Não nos cruzamos com nenhum estabelecimento digno desse nome, até que, depois do albergue e depois da entrada na ciclovia lá paramos 5 minutinhos. Fresquinha! Arrebitados lá fizemos a ciclovia num ápice, faltavam agora meros 13km para chegar a casa. Uns adornos típicos de quem já pouco pode com as pernas e chegamos sem mais problemas. 106 km's bem recomendáveis.

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