tu me laisses toute mouillée*

A frase retirada de uma polémica publicidade serve perfeitamente de título a este post. Se há quem fique molhado por causa da chuva, também os há que ficam molhados por outros motivos...
O frio matinal contrastava com o calor dos dias anteriores, mas antes assim pois o percurso era ambicioso e convinha proteger o corpo de todas e quaisquer mazelas. Um pouco mais cedo do que é costume lá nos lançamos na tentativa de fazer algo épico. Por vezes os épicos são longe de casa, ou por uma razão especial, este não, este era-o à partida por simples factos: o autor, a distância e ser pertinho de casa. A chuva começou a aparecer timidamente mas o bom ritmo inicial colocou-nos nos montes da Bracara Augusta relativamente cedo, o que era um bom prenúncio para o resto do dia, mais ainda quando dá-mos de caras com um dos ícones da nossa juventude, a mítica Rampa da Falperra. Muitos de nós, nalgum momento da vida, acordou cedo e foi ver a dita prova de velocidade, que apesar de vista daqui não parecer nada de especial, na altura era o auge do desporto automóvel por estas bandas. Ali estávamos novamente, como que viajando no tempo, na Falperra. O cheiro dos panados, as multidões e a azáfama típica de um ajuntamento de pessoas acompanhada de um barulhento passar de carro. Enfim, o tom nostálgico de outros anos! Uma barra energética entre o ver passar de duas "barquetas" e já havia energia para chegar à Póvoa do Lanhoso.
A rotunda do Pinheiro recebia-nos depois uma passagem pela GR117, essa Rota que contém trilhos bonitos e agradáveis desde a nascente do rio Este. O nevoeiro e a chuva desapareciam e davam lugar a um sol radiante, como que a dividir duas partes de um dia por si só, belo! A mudança de "clima" tirou de nós o impermeável e desviou-nos da GR para aumentar as conquistas geodésicas. Tivemos por esta altura encontro imediato com os colegas do BDP que andavam em catalogação de tracks e que revelaram ser leitores assíduos deste espaço, logo reconheceram-nos imediatamente, ainda que estivesse-mos em pleno reforço calórico. Repostas as energias, o trilho voltou a ficar interessante, até porque a marca do seu autor estava permanentemente presente, temos até de registar aqui o mérito do Pedro "indy" Ribeiro na elaboração do percurso, pois para além da beleza do percurso, a conjugação de trilhos e o seu enlace roçava o perfeito. Algo do tipo "credits: indy", aparecia nas nossas mentes juntamente com uma musiquinha de slot machine (katching!!!).
Em descida para a zona do Ermal, sensivelmente a meio do percurso, sabíamos de ante-mão que a dificuldade do dia estaria perto, ainda por cima coincidente com a barreira da dor de muitos de nós, algo difícil de digerir na parte mental, mas que um esforço de grupo e motivação mútua resolveram facilmente. A subida apeados era desmoralizadora, mas a paisagem era inspiradora e bastou uma pequena paragem para energizar o corpo, para que voltasse-mos ao ritmo cruzeiro. Deixámos o track do autor e seguimos por outro da nossa autoria, já que a parte final do autor era já por nós conhecida. Um single por entre a densa vegetação escondia no seu término o final da subida, a satisfação era tanta que os largos km's a descer pareciam imensos, ou então tínhamos perdido completamente a noção da altitude. Pensamento válido já que por esta altura o gps havia perdido a bateria, a máquina fotográfica também e as energias dos pedalantes pareciam estar chegar ao fim. A chegada a Fafe e consequente entrada na ciclovia foram uma vitória, apesar que o "jogo" estava a 30km do fim. Média de ciclista na ciclovia, aliás método de ciclistas, já que parecia um contra-relógio de equipa, devolveram-nos à cidade património mundial em poucos minutos. A gincana na cidade antecedeu a última paragem e depois foram km's de regresso ao lar. Chegados com cerca de 120km e +/- 2500mts de acumulado é dose, é até sobre-dosagem, é acima de tudo um desafio, e no nosso caso, ultrapassado!




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