A (outra) Rota dos 5 Pinocos

Existem no mercado vários produtos que pela sua concentração de virtudes chamam a atenção e levam ao sucesso de vendas. Este percurso é exactamente assim. Um passeio duro, longo e extenuante foi o que nos calhou desta vez...
O ponto de encontro à hora habitual deixou logo claro que nem todos se poderiam juntar à aventura completa. Motivos de várias ordens e acima de tudo os horários a cumprir deixavam antever a perda de elementos "pelo caminho". Tudo começou bem e animado não fosse dia de btt e com condições climatéricas espectaculares. O percurso prometido e estudado em laboratório tinha na sua composição "química", várias partes (as melhores) de outros percurso já feitos, mas a tentativa de agregar tudo num único era ambiciosa. A juntar a isto, a motivação geodésica. Começar bem o dia é a subir, dizem que dá saúde, e nada melhor que subir sabendo que a descida compensa o esforço, como no caso de uma divertida descida de downhill que nos levava para um trilho junto do rio Ave. Seguindo este rio até quando foi possível, havia que voltar a subir, desta vez tendo o objectivo geodésico em vista, ainda por cima, um que esconde vários vestígios da era do ferro, segundo o nosso especialista. Por esta altura, já se ouviam alguns elementos a reconhecer trilhos, enquanto que outros nos deixavam rumo a casa. Uma brilhante e cansativa subida técnica retirada de outras andanças mais populares devolveria-nos ao trilho já conhecido em direcção à Serra dos Picos. Numa altura em que de 8 elementos iniciais já só restavam 4, as forças pareciam diminuídas e nada melhor que uma conquista geodésica para animar as hostes, ainda por cima quando se trata de uma conquista de salvação, já que quando o trilho foi anteriormente percorrido, o nevoeiro da altura escondia o objectivo.
Pedra e mais pedra na descida, rapidez nos estradões e dava-mos de cara com o Monte Chamor, o Monumento a Sagrado Coração de Jesus rodeado de cabras a pastar. Uma imagem algo insólita, mas se calhar talvez não. Já borrifados com um desses sulfatos quaisquer, seguimos em direcção à Serra dos Carvalhos. Algo enfraquecidos pela falta de alimento, decidimos parar e comer alguma coisa, eis senão quando "tropeçámos" numa cache, momento de alguma surpresa principalmente porque não estamos habituados a tal e o geocaching passa-nos literalmente ao lado. Reabastecidos e registada a cache, seguimos pela GR117, tal como duas semanas antes, mas ao chegar à Povoa do Lanhoso, fomos ver o majestoso Castelo, local imponente pelo granito e pela paisagem. As energias teimavam em não permanecer no corpo e a paragem turística para uma cervejinha teve de ser feita, até porque a subida de Galegos não seria fácil. O uso do alcatrão para subir foi o mal menor, já que as alternativas em terra não abundam e convém não inventar muito quando são 15h e se está a pouco mais de metade do percurso. Atingimos o cimo e depois foi o calvário para encontrar o trilho certo, o gps dizia direita, o terreno dizia esquerda, o gps esquerda, o trilho nem direita nem esquerda, um suplício! Lá descemos por estrada e apanhámos uma zona conhecida que nos levaria ao trilho novamente quase sem dar conta. Novamente muita técnica posta à prova no meio das pedras, não fosse a pequena rota de Briteiros. Um cruzamento com estrada e novamente contacto com o rio, como que a refrescar as ideias. Já a 3, subimos, subimos e voltamos a subir, o gps e o trilho não se entendiam mais uma vez, mas lá chegámos a Guimarães. Não sem antes engolir uns grãos de açúcar, um pequeno doping caseiro para os últimos km's. Os "míseros" 90km escondem cerca de 2500mts de acumulado, num percurso que exige tempo e força mental...

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