Às Portas de Barcelos

São pequenas as coisas que nos aquecem o coração e com elas vêm as memórias que levámos desta vida. Frase inspiradora esta, mas acima de tudo vem no seguimento de um dia bem passado. Os objectivos que traçámos enquanto grupo, assim como enquanto pessoas, só tem o mesmo sabor quando partilhados com quem realmente importa. Este relato tem forçosamente de começar desta maneira pois este dia ficará na memória, quer de quem lá esteve, quer de quem nos segue...
À hora marcada lá estavam 4 bravos destemidos, por sinal exactamente os mesmos 4 que haviam feito Santiago '09, o que criou desde logo um ambiente semelhante aos dos 4 "Moscãoteiros". Primeiros km's em asfalto em amena cavaqueira e primeira conquista geodésica do dia, esta com contornos dignos de um musical. Muitas estórias são recriadas no cinema contendo "uma pessoa que sempre conheceu outra e só ao fim de muitos anos percebe que gosta dela", tal como nós, muitas passagens pelo local sem nunca suspeitar da existência de um marco geodésico, mesmo sendo no nosso Kintal, enfim...coisas da vida!
O percurso prometia mundos e fundos, até talvez assombrado com a kilometragem ou com a distância máxima de uma saída de casa, a chamada fronteira psicológica! Lá se seguiu em direcção a montes nunca dantes visitados, sem perder grande tempo em poses fotográficas na pequena praia fluvial de Arnoso (Sta. Eulália). A serra de Airó esperava-nos com grandes trilhos e acima de tudo com dois marcos geodésicos. A fluidez dos trilhos era tanta que as fotos iam-se multiplicando, até que... momento nostálgico do dia! A passagem pela Quinta de Balão fez recordar aqueles que por lá celebraram terem contraído o matrimónio. Momento marcante na vida de um homem diriam alguns, dois deles fazem parte do grupo... Uma passagem pela passagem de nível onde passam os comboios da linha do norte e eis que nos aguardava um belo parque de merendas em excelente estado de conservação e com imensa vegetação. Repostas as energias era hora de atacar a dupla Vaia/Saia, num assalto que se mostrou mais difícil no que à navegação diz respeito. Valeu a orientação pelo Sol, ou então pela sorte já que resultou em trilhos bem interessantes e nos levou à conquista de mais dois pontos geodésicos.
A arquitectura dos dias de hoje e as pequenas particularidades dos portugueses do norte são normalmente início das conversas que nos acompanham pelos pequenos pedaços de estrada que fazemos, onde por vezes resultam grandes discussões filosóficas. Desta vez fomos interrompidos pelo avistamento de um singletrack que nos conduziria a uma ponte romana que por sua vez nos levaria rapidamente à ciclovia que nos devolveria a V.N. Famalicão. Visto e feito, lá estávamos nós na cidade a meros km's de casa e aproveitando para repor os últimos restos de energia lá seguimos para a conclusão de cerca de 80 km de antologia... Aconselhámos!



P.S.:Enquanto uns chegavam a Barcelos outros pensavam em Vizela.
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