Serra Amarela - Serie 1 - Episódio 2

O SingleTrack pela Serra Amarela from Domingos Gouveia.



Se existe em cada um de nós uma razão para praticar btt, também existe um btt para cada pessoa que o pratica.

É um facto que comprovei nesta quinta-feira. Por volta das 9h30m já havia razões de sobra para um dia espectacular, a barragem de Lindoso servia de cenário à zona de "arranque", o calor prometido para o dia obrigava a atenções redobradas no que diz respeito à água e ao protector solar.
Haviam 60km para fazer, com a promessa de trilhos inesquecíveis e um dia de btt repleto de surpresas. O track por si só prometia, pois o seu autor (Indy!!!) deixa-nos descansados
em relação a cerejas, bolos e outras guloseimas. A serra que serviria de base ao track também não desiludia e estavam reunidas condições para o embasbacamento total.
A extensão da subida inicial até ao castelo de Lindoso deixou-me apreensivo, pois prometia uma altitude digna de descida e consequente subida. Estava certo, mas felizmente
não foi nada de grave. Chegados ao cimo, ainda que não ao cimo da serra porque as antenas da Louriça exigiam mais uma hora de subida, era altura de abastecer o estômago. 40 minutos volvidos entre um panado, uma cerveja e muita conversa, era hora da diversão.
Como entrada, um pequeno singletrack (pequeno na serra, mas já grande!!!) que nos conduziu a uma pequena aldeia, não sem antes passarmos por uns veraneantes das montanhas (???). Aplaudidos pelas populações locais à nossa passagem, o GPS conduziu-nos ao momento alto do dia, O SINGLETRACK. Apareceu sem dizer nada e foi servido em bandeja de ouro. A foto que vale mais que mil palavras era pequena para tamanha espectacularidade.
Só indo lá se consegue perceber a beleza do local e a imponência do SINGLETRACK. Para quem gosta de técnica como eu, para quem adora descer como eu, para quem gosta de coisas desafiantes como eu e para quem gosta de arriscar como eu, este é 'O' trilho. Uns 'S' bem desenhados na crista da montanha e cheios de pequenos doces para quem gosta de se lambuzar. Este trilho termina simplesmente da melhor maneira, numa pequena ponte que se encontra por cima de uma lagoa de água límpida e cristalina. Num dia de verão é, simplesmente, o melhor que se pode ter.
A oportunidade não foi desperdiçada e o banho foi revigorante, de tal maneira que a subida técnica que se seguia (mais uma guloseima) foi feita sem problemas.
Seguida da subida técnica, estava a subida não técnica, e a seguir a esta, estava a subida do Tico (baptizada no momento!!!), e depois desta estava a subida estradista que nunca mais acabava.
Enfim, muitas subidas que na hora foram chamadas de muita coisa, mas que foram desculpadas pelo que se preparava a seguir.
Reabastecimento de água entre Terras de Bouro e Ponte de Barca, mais concretamente na aldeia de Germil, pois é a única que coisa que sabemos daquele local.
Tal como as crianças em dia de aniversário que podem comer o que quiserem, eu também ainda tinha mais rebuçados para comer. Em Germil começava aquilo que os meus colegas chamaram de, e cito, "p*** que p****, quero alcatrão por favor!", um trilho fantástico com uma tendência quebra-ossos. Desde o início ao fim foi "partir pedra", ou seja, não era aconselhável aos menos habituados. Foi descer um empedrado que fazia mossa, tal como um colega pode testemunhar ( :s), e descer, descer, descer.
Nunca tinha feito nada do género e posso assegurar-vos que até eu que adoro descer técnicas duras e desafiantes cheguei ao fim a latejar dos braços.
Mais alguns desabafos e havia que subir um pouco de estrada até encontrar o acesso para Entre-Ambos-os-Rios. Ainda fizemos um pouco de trilho "à lá Tico" e foi descer até ao ponto de partida. Um banho no rio fechou da melhor maneira este dia de btt puro e duro.

Crónica by Pin7as

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